Tratamento da Doença Oftalmológica Tireoidiana
Não existe um único tratamento para a doença oftalmológica tireoidiana — o plano certo depende de dois fatores: a fase da doença (ativa e inflamada versus estável e cicatrizada) e sua gravidade. A doença leve é tratada de forma conservadora; a doença ativa moderada a grave requer terapia médica como Tepezza; e a doença com risco à visão é uma emergência. Identificar onde o paciente se encontra nesse espectro é o que determina o tratamento.
O tratamento é orientado pelo escore de atividade da doença e pela classificação de gravidade — veja Sinais, Sintomas e Diagnóstico.
O Tratamento Varia Conforme a Gravidade
- DOT leve: Medidas de suporte — cuidados com a superfície ocular (olho seco), cessação do tabagismo e suplementação de selênio. A maioria dos casos leves se estabiliza sem tratamento agressivo.
- DOT ativa moderada a grave: Terapia anti-inflamatória e médica direcionada — Tepezza® (teprotumumab), corticosteroides intravenosos e, em casos selecionados, radioterapia orbitária — para reduzir a proptose, inflamação e diplopia durante a fase ativa.
- DOT com risco à visão: Neuropatia óptica distireoidiana ou exposição corneal grave é uma emergência, tratada com esteroides IV em altas doses e descompressão orbitária urgente para preservar a visão.
Superfície Ocular e Sintomas de Olho Seco
Quase todo paciente com doença oftalmológica tireoidiana apresenta algum grau de irritação da superfície ocular — resultante de uma combinação de retração palpebral, proptose, piscar incompleto e inflamação que deixa a córnea exposta. O manejo desses sintomas é a base do cuidado em todas as gravidades:
- Lubrificação: lágrimas artificiais sem conservantes durante o dia e um lubrificante mais espesso à noite.
- Proteção noturna: oclusão das pálpebras ou uso de protetor de umidade quando as pálpebras não se fecham completamente (lagoftalmo).
- Redução da perda lacrimal: plugues punctais em pacientes selecionados para manter a superfície úmida.
- Tratamento da exposição: atenção imediata a qualquer breakdown corneano, que pode comprometer o olho se negligenciado.
Terapia Médica da Fase Ativa e Tepezza
Durante a inflamação ativa, a terapia médica visa controlar a doença e reduzir os tecidos orbitários inchados. Tepezza® (teprotumumab) é uma infusão inibidora de IGF-1R e o primeiro medicamento aprovado pelo FDA especificamente para doença oftalmológica tireoidiana — reduz diretamente a proptose, diplopia e inflamação. Corticosteroides (frequentemente intravenosos) e, em casos selecionados, radioterapia orbitária também são utilizados.
Leia o guia completo — mecanismo, esquema de infusão, resultados de ensaios, elegibilidade e fotos antes/depois — na página dedicada Tepezza® (Teprotumumab).
Cirurgia Reabilitadora (Fase Estável)
Após a doença estar estável por aproximadamente seis meses, a cirurgia corrige as alterações deixadas pela fase ativa. É realizada em uma ordem específica, porque cada passo pode mudar o que o próximo deve corrigir:
- Descompressão orbitária — amplia a órbita óssea para recuar um olho protruso e aliviar a compressão do nervo óptico.
- Cirurgia de estrabismo — realinha os olhos para eliminar a diplopia.
- Cirurgia palpebral — abaixa as pálpebras retraídas e restaura uma posição palpebral natural e protetora.
A coisa mais importante que um paciente pode fazer em todas as fases é parar de fumar — é o fator de risco modificável mais forte para doença grave e resposta pior ao tratamento.
