Parte do nosso guia completo sobre Anoftalmo e Reconstrução de Órbita — esta página cobre implantes oculares em profundidade.
Por que um Implante Orbitário é Necessário
A remoção do olho deixa um déficit de volume de aproximadamente 7 ml na órbita. Um implante orbitário colocado dentro do cone muscular restaura esse volume, sustenta a prótese sobreposta e — quando os músculos extraoculares são presos — transmite movimento à prótese. A escolha do material e design afeta a vascularização, mobilidade, estabilidade e o risco a longo prazo de migração ou extrusão. Os implantes modernos porosos permitem o crescimento fibrovascular, que ancora o implante no próprio tecido do paciente.

Esfera Não Porosa (Silicone / Acrílico)
O implante orbitário original é uma esfera lisa e sólida de silicone ou acrílico (PMMA). É econômico, bem tolerado e simples de colocar — frequentemente envolto em esclera doadora ou um envoltório alternativo, como fáscia autóloga ou malha sintética (tecido doador carrega um risco teórico muito pequeno de transmissão de doença) (ou colocado dentro da casca escleral preservada do paciente após eviscação) para que os músculos extraoculares possam ser fixados ao envoltório. Como o material é não poroso, não vasculariza e os músculos não podem se integrar diretamente a ele, portanto a mobilidade é transmitida indiretamente e as taxas históricas de migração e extrusão são um pouco maiores do que com implantes porosos. Permanece uma escolha confiável e de baixo custo em muitas órbitas.
MEDPOR® (Polietileno Poroso)
MEDPOR® é um polietileno de alta densidade poroso e leve com uma extensa estrutura de poros interconectados. Sua porosidade permite crescimento fibrovascular rápido, integrando o implante aos tecidos do paciente e frequentemente eliminando a necessidade de enxertos de envoltório separados, embora alguns cirurgiões ainda envolvam o implante em casos selecionados. Está disponível em esferas (diâmetro de 14–22 mm) e formas personalizadas. A variante Implante Orbitário Cônico (COI)® inclui túneis de sutura para fixação do músculo reto e uma projeção superior que reduz o defeito de sulco superior pós-operatório.
Hidroxiapatita (HA)
O implante de hidroxiapatita coralina é um implante esférico composto por um fosfato de cálcio de ocorrência natural (hidroxiapatita) — o mesmo mineral encontrado no osso humano. Sua estrutura porosa sustenta o crescimento fibrovascular e a fixação direta dos músculos extraoculares. Historicamente o implante poroso mais utilizado, a HA proporciona excelente mobilidade e menores taxas de migração e extrusão do que materiais sintéticos não porosos mais antigos. Como todos os implantes porosos, porém, a HA carrega um pequeno risco de exposição de superfície anterior, que ocasionalmente requer um enxerto de correção ou cirurgia de revisão.
Biocerâmica (Alumina)
Os implantes biocerâmicos são feitos de alumina (Al2O3) porosa com poros interconectados altamente uniformes (~500 µm). O extenso sistema de poros aprimora o crescimento fibrovascular e a fixação segura dos músculos, o que melhora a mobilidade do implante. O material é durável, menos frágil que a hidroxiapatita e altamente biocompatível.
Enxerto de Derme-Gordura (Autólogo)
Um enxerto de derme-gordura usa o próprio tecido do paciente — um disco de derme com gordura anexa — como um implante vivo. Como é autólogo, ele se integra e pode crescer, o que o torna especialmente valioso em crianças e em órbitas contraídas ou repetidamente falhadas, onde restaura tanto o volume orbitário quanto a área de superfície conjuntival em uma única etapa. Sua limitação principal é a reabsorção impredizível de gordura, portanto o volume final pode variar.
Guia completo: Enxerto de Derme-Gordura — quando é utilizado, técnica e resultados →
A Casca Escleral
Uma casca escleral é uma prótese ocular fina e personalizada usada sobre um olho cego mas cosmeticamente intacto (ou enrugado/ftísico), ou sobre um implante coberto. Restaura uma aparência natural — combinada e pintada à mão por um ocularista de acordo com o olho contralateral — sem remover o globo. Na eviscação, a própria esclera preservada do paciente atua como uma casca natural ao redor do implante, contribuindo para a boa mobilidade frequentemente associada a esse procedimento.

