Parte do nosso guia completo sobre Anoftalmia e Reconstrução de Órbita — esta página aborda em detalhes as complicações da órbita anoftálmica.
Síndrome da Órbita Pós-Enucleação
A síndrome da órbita pós-enucleação resulta da perda de volume e alterações estruturais após a remoção do globo ocular. Os ~7 ml de volume perdido são apenas parcialmente substituídos por um implante padrão (uma esfera de 18 mm fornece ~3 ml; uma esfera de 20 mm ~4,1 ml), agravado pela atrofia de gordura orbital de até 3 ml ao longo do tempo. As manifestações incluem:
- Enoftalmia — deslocamento posterior do implante e da prótese.
- Sulco superior profundo — afundamento acima da pálpebra superior pela perda de volume.
- Laxidão da pálpebra inferior — com fórnix raso, dificultando a retenção da prótese.
- Ptose ou retração palpebral — por alterações no complexo levantador.



Exposição e Extrusão do Implante
A exposição do implante — uma ruptura na cobertura conjuntival sobre o implante — é a complicação séria mais comum. Uma pequena exposição pode ser reparada cirurgicamente com um enxerto de retalho. Exposições maiores ou extrusão progressiva podem exigir remoção e substituição do implante, frequentemente com um enxerto de derme-gordura. O reconhecimento e tratamento precoces aumentam as chances de preservar o implante.

Outras Complicações
- Hemorragia — mais comum em pacientes em anticoagulantes; geralmente controlada conservadoramente.
- Infecção — rara com implantes porosos modernos; a maioria das infecções secundárias responde a antibióticos, embora casos graves possam exigir remoção do implante.
- Prótese mal adaptada — a órbita muda ao longo do tempo; visitas regulares ao ocularista (a cada 1–2 anos) para polimento, reajuste e substituição mantêm a prótese confortável e natural.
